Código 389b: o que está por trás do número que parou o Porto de Santos

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O número 389b apareceu pela primeira vez num e-mail interno da autoridade portuária de Santos na última terça-feira, às 6h47. Não era um código de rastreamento, nem uma senha de acesso. Era o identificador de um lote de contêineres que simplesmente não constava em nenhum sistema de registro. O 389b virou o centro de uma investigação que já dura cinco dias e que envolve pelo menos três empresas de logística, duas seguradoras e um navio que partiu de Xangai sem que ninguém soubesse exatamente o que carregava.A história começa com um erro de digitação. Um operador da alfândega tentou consultar o código 389b no sistema de manifestos eletrônicos e recebeu uma mensagem de erro que não estava no manual: "referência inexistente". O detalhe passaria batido se o mesmo operador não tivesse notado que o número aparecia em um documento físico de carga, carimbado e assinado. A partir daí, a curiosidade virou protocolo. A autoridade portuária acionou a Polícia Federal。

que encontrou o 389b em pelo menos 47 documentos diferentes, todos com datas que não batiam entre si.O que se sabe até agora é pouco, mas é suficiente para acender o alerta. O lote 389b deveria conter。segundo os papéis, 12 toneladas de equipamentos médicos. A inspeção física, feita na quinta-feira com cães farejadores, encontrou 12 toneladas de sucata eletrônica, incluindo placas de circuito impresso e baterias de lítio danificadas. O valor declarado era de US$ 2,3 milhões. O valor real, segundo um perito consultado pela reportagem, não passa de US$ 80 mil. A diferença não é só financeira. É uma brecha que pode ter sido usada para lavagem de dinheiro ou para burlar cotas de importação.O 389b não é um caso isolado. Nos últimos 18 meses, pelo menos seis lotes com códigos semelhantes — 389a, 389c, 390b — passaram pelo mesmo terminal sem inspeção detalhada. A padrão é sempre o mesmo: documentação incompleta, empresas de fachada registradas em nome de laranjas e um intervalo de tempo entre a chegada e o desembaraço que não passa de 36 horas. "É rápido demais para ser legal"。disse um auditor da Receita Federal que preferiu não se identificar. "Quando o processo é limpo, leva uma semana. Quando é sujo, leva um dia."A pressão agora é para que o 389b não vire apenas mais um número numa planilha de ocorrências. A Federação das Indústrias do Estado de São Paulo pediu uma auditoria externa no terminal onde o lote foi encontrado. O Ministério Público Federal abriu um procedimento preliminar na sexta-feira. E a Receita Federal promete revisar todos os lotes com códigos que começam com 389. Enquanto isso。o contêiner original do 389b está lacrado num pátio isolado, sob escolta armada. Ninguém entrou. Ninguém saiu. O número continua lá, impresso na lateral de aço, esperando que alguém explique o que ele realmente significa.

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